domingo, 2 de fevereiro de 2020

Manoel de Barros

Fôssemos merecidos de água, de chão, de rãs, de árvores, de brisas e de graças!
Nossas palavras não tinham lugar marcado. A gente andava atoamente em nossas origens.
Só as pedras sabiam o formato do silêncio. A gente não queria significar, mas só cantar.
A gente só queria demais era mudar as feições da natureza. Tipo assim: Hoje eu vi um lagarto lamber as pernas da manhã. Ou tipo assim: Nós vimos uma formiga frondosa ajoelhada na pedra.
Aliás, depois de grandes a gente viu que o cu de uma formiga é mais importante para a humanidade do que a Bomba Atômica.





Um poema do incomparável Manoel de Barros, para começar a semana com simplicidade, humor e beleza. 
Leio poemas durante a madrugada; é um bom modo de pegar no sono, entre versos e rimas. E que sonhos eu tenho!

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