quarta-feira, 12 de agosto de 2026

Eu, que amo o frio e a chuva, também aprendi a amar dias de sol e calor.

Esses dias...

 Tenho respirado literatura. Estou lendo Moby Dick e Anna Kariênina. Participei de uma feira literária com Socorro Acioli, falei com ela e peguei autógrafo em seu novo livro, uma compilação de crônicas, chamado Amar é Inadiável. Além disso comprei outros livros, incluindo alguns de autores independentes. Quero ir à Bienal de SP este ano. As reuniões com o Clube de Leitura nunca estiveram tão ativas, 2 ao mês. Enfim, a literatura tem tomado conta de minha vida e isso me deixa feliz.

Também comprei um ps5, mas só jogo aos fins de semana. Tenho muito medo de ficar viciado em video game. E tenho certa tendência a isso. Ganhei um aparelho para ouvir meus cds. Então tenho ouvido de tudo todas as noites, da primeira à última música. A experiência completa.

Tomo meus cafés, meus chocolates quentes, não tenho bebido álcool, estou saindo raramente. Perdi contato com os colegas de copo. Amo minha mulher e minha família e meus pets. Tudo caminha bem, tudo repleto de paz. A vida não é só amargura e vazio e angústia. É tudo isso também. Sempre será. Mas ela tem coisas positivas, e ultimamente tenho olhado com mais carinho para todas elas. Transbordo amor.

quinta-feira, 6 de agosto de 2026

 Dormi ontem antes das 09:00h, por pouco mais de 11 horas seguidas. Sonhei todo esse tempo. Sonhos loucos, artísticos e estranhos. 

Sonhei que estava em um shopping comprando roupas e comida e as compras nunca tinham fim. 

Sonhei que estava em uma festa com Johnny Cash e Waylon Jennings cantando Luckenbach, Texas, na beirada de um rio. Depois entrei neste rio e fiquei nadando entre as pessoas. 

Muitos outros sonhos eu sonhei, mas não me lembro mais deles 

A morte da nostalgia

 Minha avó tem quase 100 anos, é totalmente lúcida e odeia falar do passado. Nunca entendi o motivo. Até agora.

Sempre fui uma pessoa muito nostálgica. Vivia pensando no passado, em momentos mágicos e confortáveis, cheios de significado e amor. Meus textos são repletos disso.

Mas algo se quebrou. Amadureci? Ou perdi a capacidade de lembrar do passado com carinho e suspiros? Não sei a resposta. Não sei o que aconteceu. Mas mudei.

Quero que o passado se foda. As memórias estão evanescendo, tudo perdeu seu significado e só o agora importa.

quarta-feira, 15 de julho de 2026

 Há muito tempo eu não me sentia tão sozinho. Desde que parei de beber isso piorou. Sem a superficial camaradagem das mesas de bar, os "amigos" se vão. Tenho contato com apenas um. E, mesmo assim, nos vemos raramente. Sabe qual é a pior parte da solidão? A gente se acostuma. Chego em casa, faço uma faxina, tomo banho, brinco com os gatos e me deito. Daí noto que estou há 5 ou 6 horas em silêncio. Então fico lendo até o sono chegar. Não glamorizo a solidão e não queria passar por isso sempre. Mas não há alternativa. Raramente sinto um desespero, uma angústia - geralmente lido bem com meu tempo só. Mas queria sair disso às vezes, ter uma alternativa de socialização que não incluísse litros de bebida alcoólica. É um tanto patético chegar nessa altura da vida sem um círculo de amizade. 

sexta-feira, 10 de julho de 2026

Eletricidade, motor e prazer

 7ºC. 06:40h a.m. Neblina. Ar úmido e elétrico. Ir devagar não é uma opção. O frio corta. Após meia hora, os dedos ficam duros, mesmo protegidos por uma segunda pele e luvas de couro. O vento entra pelo capacete e o rosto fica pálido, gelado. Após uma hora, não sinto mais nada. Apenas sigo a estrada.

Ao chegar, café bem quente. Lavo as mãos e o rosto com água quente também, mas não adianta. O frio persiste por horas. Ainda estou tremendo. 

No entanto, como explicar que amo isso? Não tem lógica, não tem segurança. Mas é o ápice da minha existência. Eu, a moto e a estrada. Não passo pela paisagem. Sou parte dela.

Eu sempre digo isso: mesmo se você não gosta ou não se importa com motos, pelo menos uma vez na vida você deveria viajar em uma. Ou, pelo menos, pegar alguma rodovia por alguns minutos. É uma experiência única. É como estar montado em um míssil. O coração acelera, as pernas tremem e você se agarra como pode. É orgástico.

O clima perfeito para andar de moto é este: logo após a chuva. Estrada molhada, ar elétrico, ameaça de tempestade. É algo meio apocalíptico, desolador e ameaçador. E a moto corta este mundo cinza enquanto raios caem em volta. Vivo para isso. Busco e anseio por dias assim. Mesmo após décadas, ainda amo o tempo cinza. 

terça-feira, 7 de julho de 2026

Um sentimento de...

... De qualquer coisa assim parecida com paz ou tranquilidade ou conforto. Sem ódio, estresse, pressa ou preocupação. Uma paz danada, inabalável. Moto estragou, gato está doente, mas nem isso me tirou o chão esse semana. Estou ZEN.

*+* 

Parei de ir a bares, parei com todos os rolês e só saio de casa para participar do meu Clube do Livro. Minha casa tem todos os streamings, video game e centenas de livros e HQs. Uma cama confortável, meus gatos, comida e bebida sempre à mão. Sair pra quê? Para não dizer que virei um eremita, saio para comer algo às vezes ou tomar um café. Hoje, por exemplo, vou sair do trabalho e comer um pastel de feira. E só e me basta. 

 *+* 

Estou numa fase em que simplesmente parei de tentar entender as pessoas. Porque simplesmente já entendi todo mundo. Afastei-me dos oportunistas, dos colegas de copo e da turma do rolê. Não porque são más pessoas, mas porque não sinto a menor vontade de me enturmar. Afastei-me de quem só pede favores e de quem só reclama também. Fiquei indiferente com quem é indiferente comigo. E afastei-me de pessoas complicadas, que querem me colocar em suas tramas complexas e sem sentido. Não tenho interesse e não sou obrigado. Não quero saber de ninguém assim. Engraçado é que, após isso, quem sobra? 

*+* 

Estou lendo Moby Dick, finalmente. Quase no fim. A história em si é maravilhosa, mas as partes sobre caça de baleias me enojam. A caça é a prática mais vil do ser humano. Estou ensaiando para voltar a ser vegetariano também. O consumo de produtos de animais não me agrada mais.

*-*

Todo esse rant aleatório tem a ver com o seguinte: ninguém se importa. Ninguém. E quando você notar isso, vai viver uma vida leve pra caralho. Ou pelo menos tentar.

ps.: Claro, o amor existe. Quem se importa também. Mas isso é RARO. Mais raro do que todo mundo pensa. Mas por mais que as pessoas te amem e pensem em você, ninguém vai ficar ligado em você o tempo todo, te checando o tempo todo e reforçando este amor o tempo todo. A gente é, inevitavelmente, sozinho. Claro de novo: sou humano. Sinto falta de carinho, de uma conversa profunda com uma amizade verdadeira, de um toque, de um abraço, daquela pessoa ou outra que simplesmente sumiu. Mas não vou morrer por falta disso. E nem triste vou ficar. Não mais. Não por enquanto. Não agora. Não.

 

segunda-feira, 6 de julho de 2026

Terror e relacionamento aberto

sonho 1- Estava em uma pousada, em uma área com muita areia e um penhasco. Alguém fez um buraco na areia e se deitou dentro. O buraco se fechou. Eu cheguei com uma espingarda e comecei a atirar. A cada tiro, buracos enormes se abriam na areia, revelando passagens subterrâneas, mas nunca mais vi a pessoa. Havia lobisomens, bruxas poderosas e amedrontadoras e vampiros na área. Tentei salvar alguns amigos e fugimos de carro. Um desses amigos tinha um parasita no corpo que, se evoluísse, daria origem ao nêmesis. Quando estava indo embora, fui cercado pro bruxas, mas uma mulher matou a todas com uma faca de serrar pão. Fiquei apavorado e querendo fugir o tempo todo. 

-*-

sonho 2 - Meu relacionamento era, aparentemente, aberto. Ela passou a noite com um homem que eu conheço. Fiquei triste por isso, mas relevei. No dia seguinte, passou a noite com outro, e chegou suada e com coceira. Brincou que devia ter pego algo do cara. Relevei novamente e quando ela foi tomar banho eu senti vontade de morrer. 

-*- 

 Nota: Dois sonhos do mais puro terror e com total falta de sentido, ou quase. A comparação aqui é óbvia e simples: relacionamento aberto é o equivalente ao pior terror possível. Pensando bem, é ainda pior: eu prefiro mil vezes ser morto por vampiros, bruxas ou lobisomens do que abrir o relacionamento. 

 

quarta-feira, 1 de julho de 2026

Update


 Estou revisando um livro sobre empatas. 90% é pura groselha. Mas os 10% me pegaram de jeito. Porque vi minha vida toda ali. Aversão a grupos e locais com muita gente, emoção e sensibilidade sempre à mostra. Absorção de sentimentos alheios quando descuidado. Necessidade de recarregar energias em silêncio e solidão e, principalmente, a capacidade de ver além do véu, de sacar pessoas falsas, mentirosas, aproveitadoras e narcisistas logo de cara.

Eu sou bem assim. Única coisa que preciso melhorar é em esconder um pouco como me sinto; sendo mais específico: ser mais político, sociável e não deixar transparecer nada em público. Porque minha cara sempre entrega como me sinto. E TODO MUNDO nota isso. 

*-*

 Ando numa paz, sabe? Sem beber, sem frequentar bares, sem rolês com barulho ou com muita gente, bem tranquilo mesmo. Trabalho num escritório o dia todo, à noite reviso uns livros, vejo alguma série leve e leio até pegar no sono. Tudo na mais absoluta paz e com muito conforto. Coloquei uma luz quente fraquinha no quarto, comprei um cobertor de sherpa bem quente e macio... sair pra quê? Um café, um chocolate quente... maravilha!


*-*

Amo cozinhar para mim mesmo. Ontem fiz onigiri e temakis. No dia anterior, buffalo wings. Sem a pressão de agradar ao paladar alheio. sem medo de errar e sem pressa. Uma música, a cozinha e eu.

*-*

Meu gato mais velho, com quase 20 anos, vai retirar os dentes na sexta-feira. Ele está bem, mas a gengiva está muito inflamada. Fico preocupado com a anestesia, mas sei que vai dar tudo certo!  

 *-*

Estou sem tempo para escrever aqui. Sem muito assunto também. Os assuntos do coração escrevo à mão em eu diário. Nunca mais vou expor essas coisas. Não há necessidade, função ou lógica. Mas continuo o mesmo. Tudo segue. Ora leve, ora lento, ora feliz, ora indiferente, mas sempre em frente. No mais, apenas isso: silêncio e saudade e certa incompreensão persistente.

*-*

Não corro atrás de ninguém e só ajudo quem me solicita ajuda. Este foi o meu maior aprendizado nos últimos anos. Não cobro, não obrigo e não exijo. Deixo tudo fluir, tudo seguir seu rumo. Estou aqui, repleto de amor e de peito aberto para a vida e abraçando quem queira meu abraço. Estou aqui.

 

 

 

terça-feira, 16 de junho de 2026

Diário de sonhos

15/06/2026 - Acordei com muita raiva. Levantei-me e olhei meu rosto inchado no espelho. A raiva ainda estava ali. Uma raiva poderosa e profunda. Então eu me lembrei do sonho...

Cheguei a um bar e uma pessoa que realmente detesto, um ser abjeto digno de nojo, estava por lá. Então eu o soquei e joguei no chão. Continuei a socar, mesmo quando os dentes quebraram e o nariz quebrou e o sangue jorrou. Continuei até que tudo o que se podia ver do rosto dele era uma massa disforme de sangue e carne. Então acordei com essa raiva triunfal, este ódio bélico e, porque não dizer, com uma sensação de dever cumprido e de orgulho. 

16/06/2026 - Fui ao banheiro do escritório e me olhei no espelho. Eu tinha 20 anos novamente. Rosto liso e cabelo farto. A pele sem as rugas ou manchas de sol. Encostei-me na parede e fiquei me admirando por algum tempo. Então saquei o celular e tirei uma foto. E outra, e mais uma. Em todas as fotos eu estava com a minha idade atual. Rosto mais arredondado, calvo e barbudo. Com as rugas e manchas. Guardei o celular e continuei encarando o eu do espelho por mais algum tempo, com nostalgia e amor.