sexta-feira, 9 de outubro de 2026

Neste fim de semana

 Neste fim de semana eu quero ouvir bossa nova, fazer meu café especial e comer meu cereal matinal. Tudo sem grilo, sem pressa nem culpa ou porquê. Vou ler meus quadrinhos, ver minhas séries e escolher algum livro novo para mergulhar. Vou brincar com os gatos e se o sol colaborar, vou sair para rodar alguma estrada em minha velha e empoeirada moto. Vou me abrir para as pessoas, conversar e sorrir. Vou viver um pouco essa vida que passa ligeira e aproveitar essa américa do sul que ainda existe, mas que não mais persiste. Estamos com os dias contados, e quero aproveitar a vida sem culpe nem pressa enquanto ainda posso.

 Mãos dadas em público. Um abraço repentino sem motivo. Um longo olhar demorado e delicado. Horas na cama, juntos, vendo algo qualquer na tv. Um café da manhã compartilhado. Risadas, carícias tímidas, como mãos se tocando em uma mesa de bar. Troca de olhares em um lugar com muitas pessoas, sexo inesperado e apaixonado, um banho juntos, combinar o que comer, onde ir, ajudar o outro a escolher a melhor roupa... Sabe?

09/10/2026

Dormi um sono sem sonhos. Acordei com a chuva, que parou poucos minutos depois. No caminho do trabalho, uma tempestade caiu. Parei a moto em um posto de gasolina e fiquei ali por meia hora observando a chuva, os carros, as árvores. Foi um momento de paz e, porque não, meditação.

Uma hora, um sentimento forte apareceu. Uma saudade, misturada com certa tristeza parecida com a do luto. Tive vontade de chorar. Pensei no futuro do país e das pessoas ignorantes que contribuem para que o pior aconteça através de seu voto. Mas então tudo foi se acalmando e a paz retornou. 

Agora estou no escritório, com as roupas úmidas. Vou fazer um café, o que me proporciona mais alguns minutos de silêncio e contemplação. Minha vida é feita assim, de momentos de pequenas solidões.

Se quer saber como eu me sinto, leia Kerouac, O Apanhador no Campo de Centeio, O Palácio da Lua (do Paul Auster). Mas principalmente Kerouac. A paixão intensa pela vida, a curiosidade, a capacidade de ver beleza em tudo até me sentir realizado, o amor pelas pessoas com as quais interajo, o por do sol dourado, a solidão, a estrada e uma melancolia que cobre tudo isso como um manto.  

sexta-feira, 25 de setembro de 2026

Te vi na rua

 Te vi na rua. 2 vezes. Ainda te procuro por aí. Não para conversar ou cumprimentar. Sei lá. Se eu te visse em um corredor de supermercado, provavelmente me esconderia de ti. Mas mesmo assim eu te procuro. Como se o fato de só te ver caminhando por aí fosse sinal de que você está bem. Não sou de incomodar ninguém e ao menor sinal de incômodo causado eu me desculpo e sumo. Sou um ser estranho e solitário. Mas te desejo o bem e sempre penso em você. Ainda sonho com você às vezes. Sonho que estamos nos mesmos lugares e sempre te vejo à distância. Sorrio satisfeito e vou embora depois.

Outro dia vi um grande e antigo amigo. Já falei sobre ele aqui. Vi-o caminhando na rua. Enchi-me de felicidade. Mas ele sequer me cumprimenta mais. 

Ontem um outro antigo amigo, que perdi o contato há anos, adicionou-me em uma rede social. Está bem, trabalhando em um emprego onde ganha mais de 10 salários. Isso me deixou muito, muito feliz. 

Talvez meu super poder seja esse. O de perder todo mundo que um dia significou algo para mim e amá-los em segredo depois por toda a porra da minha vida. 

O Último Cowboy

 


Robert Kincaid, do livro The Bridges of Madison County (que foi adaptado em um filme bem famoso), um fotógrafo solitário e sem muitos amigos ou família, faz uma analogia que me atingiu profundamente. Ele se denomina "o último cowboy". Um homem obsoleto. Um homem sem papel em um mundo que não precisa mais dele. Sinto-me assim. Amo conversas longas, dias lentos, natureza, contemplação... coisas raras no mundo de hoje. Sou um homem de uma mulher só também. Vivo uma vida estoica, honesta e tranquila. Amo profundamente o mundo que vejo e sinto uma beatitude diária ao presenciar a vida, a natureza, a arte... Há amor, profundo amor no mundo.

Famílias e o extraordinariamente comum

 Fico feliz quando vejo uma família comum qualquer. Outro dia, no Burger King, um jovem casal entrou com uma criança. Estavam calmos, brincavam com o filho. Uma cena normal, típica. Ou um carro passando pela rua com um casal na frente e duas crianças atrás. Crianças com os pais nas praças. Crianças sendo buscadas na escola. Enfim, qualquer cena banal que envolva pais e crianças enche meu coração de ternura. Essa vida tradicional, tão comum, tem algo de extraordinário, de maravilhoso e divino. Sinto paz ao presenciar isso.

Mas não é para mim.

Ao contrário de muitos homens que se aproximam dos 40 e entram em desespero para constituir uma família, eu ainda estou firme quanto a isso. Não quero filhos. Nunca os terei por vontade própria. No entanto, o fim de minha estirpe era algo que me preocupava cada vez mais. Achava isso antinatural, errado. Aí minha irmã engravidou de uma menina. Quando minha sobrinha nasceu, forte e saudável, tirei um peso gigantesco de minhas costas. Continuaremos através dela. Agora tenho alguém para depositar todo o meu amor, para proteger e para deixar tudo o que conquistei nessa vida. Que alívio!

Minha decisão de não ter filhos é puramente lógica. Não sou rico, não conseguiria dar uma vida decente a eles. Sim, eu sei que há famílias com renda de 1 salário mínimo e com vários filhos. Mas não é algo que eu queira para mim; colocar um ser no mundo, um ser que não pediu para estar aqui, e não dar uma vida digna a ele. 

 Não vou mentir. Às vezes penso nisso. Em ter uma pequena versão de mim neste mundo. Cuidar, educar e amar incondicionalmente, dar todo o suporte. Mas é assustador demais. Ser pai exige uma coragem que eu não tenho e não sei se terei um dia. Admiro profundamente pais e mães que cuidam de suas crias. 

 Não é para mim.
 




quarta-feira, 23 de setembro de 2026

 Nunca tive o amor que eu sinto que mereço. E, olha só, eu nem acho que mereço muito. Só o básico. Saudade, carinho e tesão. Fidelidade e parceria. Nunca soube o que é isso. Vivo de restos de afeto. De migalhas. A. Porra. Da. Minha. Vida. Inteira. Mas não culpo ninguém a não ser eu mesmo. Estou aprendendo a não me sentir tão mal por isso. Mas para que eu não me sinta mal, preciso ficar sozinho. Seria pior? Ainda não sei. Preciso aprender a viver sem esperar nada, nem o básico, nem o mínimo. Nada.

quarta-feira, 2 de setembro de 2026

A Menina Submersa - Memórias

Desses livros que ficam. Uma jornada onírica, obscura e cheia de significados e sentidos. Imp ficará um longo tempo em minha memória. 

sexta-feira, 21 de agosto de 2026

Mapa astral, baixo-astral

 Fiz um mapa astral, desses completos, pagos, com cada detalhezinho. Isso tem uns 13 anos. Daí passei para que outras pessoas entendidas verificassem. Depois joguei em uns grupos temáticos. E os resultados eram basicamente os mesmos em todos. A análise seguia uma lógica, de fato.

Não me julgue, todo mundo teve essa fase astrológica espiritual etc 

Eu não me lembro de tudo, mas muitas pessoas disseram que eu tinha muito fogo e muito sol, como nunca tinham visto antes. Algo assim. E algumas ainda disseram que eu seria alguém famoso ou reconhecido. Em uma consulta, a pessoa disse que isso ocorreria até os 30. Essa possibilidade habitou minha mente por alguns anos. Hoje, aos 38, lembrei novamente disso. 

Não sou famoso e nem reconhecido por nada. Os anos passaram. As previsões também. Mas vez ou outra ainda me lembro disso.


quarta-feira, 12 de agosto de 2026

Eu, que amo o frio e a chuva, também aprendi a amar dias de sol e calor.