Outro dia sentei numa praça e pedi um pão de queijo recheado. Comi sem pressa. O vento soprava nas araucárias. O tempo estava cinza e frio, um dia atípico bem no fim do verão. Tirei uma foto: o céu, as árvores, a praça. Suspirei sem motivo.
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Voltei a ver filmes clássicos e cults. Voltei a ler calhamaços. Deixei séries bobas e livros toscos de lado. Este é o meu maio conforto. A arte. Há tempos não me sentia tão feliz.
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Minha vida está se encaminhando, mas não para onde eu gostaria. Parece que estou sendo levado, sem lutar. Nem todo progresso é positivo, quando intimamente sentimos que queríamos outra coisa. Outra vida, outro lugar, outro tudo. Acho que a vida adulta é isso. Ir levando. E levando. E levando.
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Uma das melhores coisas de ser adulto é ter grana para gastar com bobeira. Comprei a coleção de cds do Pedro The Lion e agora comprei vários Red House Painters. Em meu quarto não há mais espaço para nada. Milhares de livros e álbuns. Meu mundo. Chego em casa, tomo um banho, coloco um cd na íntegra e aprecio sem pressa.
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O outono me deixa sentimental. É a minha estação preferida. Sempre que vou embora do trabalho sou banhado pelo sol sonhador do outono. Encho-me de felicidade.
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Quero comprar uma máquina fotográfica e tirar fotos só pra mim. Imprimir algumas. Sumir do digital.
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Tenho sentido muita saudade de dar aulas de arte. Quero voltar. Era tão bom poder compartilhar meu conhecimento...
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Há muito tempo não abraço ninguém. É tão estranho isso. A falta do toque, desse contato íntimo que proporciona conforto e tranquilidade. Eu gostaria de entrar em mais detalhes de como certos aspectos da minha vida são complicados e tal, mas não consigo. Não aqui. Tenho me sentido muito só e rejeitado, mesmo em (por causa de) um relacionamento duradouro. E isso só piora, essa solidão a dois.

