segunda-feira, 11 de maio de 2026

 Dormi com a janela aberta e acordei animado com o frio que entrou. Vesti roupa rapidamente e antes de sair tomei um espresso. Ter uma cafeteira em casa foi um desses pequenos acertos na vida. Saí de moto, com o vento e um sorriso no rosto, usando minha velha levis trucker de sherpa xadrez. Li que amanhã estará ainda mais frio. Será uma boa semana. Meu humor muda com o frio. Fico mais calmo, tranquilo mesmo, e feliz. Dias frios e nublados foram feitos para mim. Agora ouço o novo álbum do Iron & Wine. Tudo vai bem.

*-* 

 Qual é a medida do desejo sexual? Qual é a média de vezes que uma pessoa faz sexo por dia, semana e mês? Isso existe? Pelo que pude pesquisar, desde que não seja algo que atrapalhe sua vida em qualquer aspecto e nem te coloque em risco de saúde ou de vida mesmo, está ok, qualquer coisa é válida. Então, aqui vão algumas considerações BEM particulares sobre sexo e sexualidade:

- gênero: é um papel que performamos. Algumas pessoas se sentem confortáveis em seu papel. Outras, não. E tá tudo bem. Eu, por exemplo, sou forte e um pouco acima do peso e com uma barba enorme e com cara de poucos amigos. Uso roupas consideradas extremamente masculinas (principalmente work wear) e me sinto confortável em ser assim. Mas se um homem se identifica como mulher, ou uma mulher como um homem, se eles se vestem de maneira diferente, se tem preferências sexuais diferentes, tá tudo bem também. Não há certo e errado, apenas a vivência de cada um. Roupas não têm gênero. De certo modo, penso que pessoas também não. Educação, ambiente, normas sociais, ideologias, amizades... tudo isso nos influencia.

- sexualidade: não acredito que existam pessoas heterossexuais. A sexualidade, o desejo, é amplo demais e forte demais para se limitar a um gênero sexual. Particularmente, eu gosto de mulheres. Incluindo mulheres trans. Não sinto desejo por homens - isso aconteceu, talvez, naquele nebuloso e breve tempo do início da puberdade, onde sentimos desejo sexual por qualquer buraco. Mas depois, nunca mais. Claro, ainda sou capaz de achar um homem bonito - o rosto, o corpo. Mas isso não desperta em mim nenhuma espécie de desejo sexual. No entanto, se um dia isso acontecer, encararei de forma natural.

 - sexo: em minha mente existem algumas regras morais e legais sobre sexo e qualquer pessoa que infrinja essas regras merece ser combatida e destruída com a morte: nunca com crianças ou adolescentes, nunca com animais e nunca de maneira forçada. Tudo além disso é válido. Um exemplo extremo: se uma pessoa sente algum tesão em comer merda e a outra está ok com isso, que seja (claro que, assim como você, eu acho isso doentio, errado e asqueroso, mas se essas pessoas não fazem mal a ninguém, o que fazer? Que vivam em paz com sua parafilia). Troca de casais, gangbangs, cuckolding... há todo um universo aí. Eu não tenho vontade, curiosidade ou coragem para sequer chegar perto dessas práticas, mas não condeno quem tem. No máximo, tenho o velho e conhecido desejo de um ménage à trois. Um jantar, um filme na cama, um vinho... Mas nunca rolou e acho difícil rolar, a não ser que eu pague por isso (outra regra para o sexo: jamais pagar. Jamais contratar serviços sexuais). 

Suavizando um pouco o papo: no 1x1 eu entrego meu corpo totalmente. Ela pode fazer o que quiser comigo, sem limitações. E fico muito feliz quando acontece o mesmo por parte dela. É uma troca intensa e prazerosa. Tenho a libido e a energia sexual de um moleque púbere. Quero fazer todos os dias, mais de uma vez ao dia. Adoro fazer oral por tempo prolongado, sentir o prazer crescer até o ápice... Enfim. Acho que acordei com tesão e tenho lido muito Henry Miller. 

terça-feira, 28 de abril de 2026

Oi, tudo bem?

 Por aqui? A vida anda boa, anda lenta. Trabalho, estudo, leio, vejo uns filmes, faço algum exercício físico e descanso. Tenho dormido cedo e acordado com o sol. Há amor em tudo o que faço e  isso traz uma tranquilidade, sabe? Mesmo nos dias tristes. Nada oprime ou sufoca. Sinto falta da chuva e do frio, principalmente do frio. Sinto um pouco a sua falta também. Já senti mais. Agora, só vez ou outra. A distância ajuda. Não dá para sentir falta daquilo que esquecemos.

No entanto, vivo sonhando com encontros casuais - em supermercados, ruas, bares e tal. Mesmo sabendo que está em outra cidade. Às vezes finjo que não te conheço e passo reto. Às vezes rola um abraço longo e apertado, às vezes apenas um rápido e constrangedor "olá". Não digo mais eu te amo e nem digo que sinto saudade. Não sei se você nota. Acho que não. Sempre que fazia isso eu me sentia patético logo em seguida. Ou não era levado a sério, ou era levado como emotivo demais, exagerado demais, e tudo se esvaziava de significado. Sei que tem outras amizades agora, outros rolês. A vida segue seu curso.  Não sinto raiva, rancor ou amor. Sinto falta. Às vezes, mais ou menos. Quase nada. Ou seria uma falta absurda que nunca será admitida? Acho que não.

Há muito tempo não abraço ninguém. Meu último abraço foi em você. Não gosto de contato físico. Evito cumprimentos assim. Até para parabenizar alguém, eu faço meio que constrangedoramente de longe. É isso, acho que entendi. Sinto falta do seu abraço. Já não te peço isso há tempos, há anos. Quase não lembro se já pedi, na real. Só uma vez. E você não me abraçou. Se eu ainda tivesse a coragem de te pedir algo sem ser o medo de ser ignorado ou rejeitado, não seria sexo ou amor ou afeto - pois essas são coisas que se conquistam e que se mantém com esforço e dedicação - Não. Seria isso, um abraço. E nesse abraço eu iria lembrar do cheiro do seu cabelo, da sua pele e do seu hálito. Iria me sentir íntimo novamente, seria a beatitude. Isso talvez me destruísse depois. Portanto, este seria meu único pedido a você: um abraço que durasse toda a vida.

quarta-feira, 22 de abril de 2026

 A felicidade não grita. Ela não aparece nas atualizações das redes sociais. Não está em sorrisos largos e bebidas à mão em algum lugar paradisíaco ou cosmopolita. Não está em grupos ou atividades efetuadas por estes. Não.

A felicidade sussurra. Ela é como o cobertor preferido de uma criança, como um filhote que se aninha na mãe em um dia frio, como um abrigo seco de uma tempestade. A felicidade conforta. Traz calma e paz. 

sexta-feira, 17 de abril de 2026

 Tenho vivido uma vida tão pra dentro, tão comigo mesmo... E isso tem me dado um conforto imenso, com não tinha há muitos e muitos anos.

Sinto-me apaixonado pela vida. Pelo ar da manhã, pelo entardecer... o outono sempre faz isso comigo. Tenho feito tudo com amor. Acordo e meus gatos vêm me cumprimentar, então já fico feliz. Depois tomo uma café sem pressa, mastigando com calma e sentindo o friozinho do começo do dia. Rego as plantas, trabalho, faço minha academia, tomo banho, leio leio leio e durmo. Voltei a frequentar cafeterias também. Leio um pouco nelas, enquanto tomo um café ou dois. Sempre em paz, sempre tranquilo e confortável. Não olho para ninguém, não convido ninguém para nada, não frequento mais bares e não bebo mais. A vida está plena agora. Estou feliz.

segunda-feira, 13 de abril de 2026

 Fim de semana em São Paulo. Comprei livros e discos, comi bem e fui a vários shows. Amo viajar e conhecer lugares, mas detesto o caos das grandes cidades. Pedintes e drogados, engarrafamentos, tudo fica longe, tudo fica caro, tudo cansa. Voltarei só em janeiro. 

-*

 Ando tão cansado das pessoas... Nem vou a bares mais. Só saio de casa sozinho. Conversar é exaustivo, ainda mais quando a conversa é aleatória e nada enriquecedora. Não tenho bebido, então é mais difícil suportar pessoas falando merda o tempo todo. Gosto de conexões profundas, conversas ricas, olho no olho, com calma e atenção. Nunca encontrei isso em um boteco. Na verdade, sinto falta de alguém assim para conversar. As pessoas ficaram todas estranhas: parecem a mim toda viciadas (em drogas, em celulares, em atenção). Não busco sexo ou amor ou atenção. Só um pouco da velha conexão humana.

quarta-feira, 1 de abril de 2026

Constantly Talking isn’t Necessarily Communicating

 Ando muito cansado de pessoas. Muito mesmo. Estava mais de mês sem sair, a não ser com a minha companheira. Hoje fui a um bar, uma cervejaria. Atendimento bom, música boa. Não bebi. Então, depois de um tempo, foi aquilo: todo mundo falando mais alto do que a música, todo mundo querendo falar e ninguém querendo ouvir. Quase uma competição por atenção e protagonismo. Uns conhecidos querendo puxar assunto, outros fingindo que não me conhecem. Dei o fora.

Estou sem paciência. Não quero conversar com quem não quer ouvir e não quero ouvir quem só quer falar. Eu geralmente consigo socializar bem em qualquer ambiente, mas sem beber fica mais difícil fazer isso. Externamente nada muda. Internamente fico estressado e impaciente.

Eu odeio grupos. Ao sair para qualquer rolê, vou sozinho ou com alguma pessoa só. A 2 é tudo perfeito. A 3, aceitável. Mais do que isso, para mim, tudo se torna dispensável. Gosto de conversas íntimas e profundas e com muita gente isso é impossível. Não encontro conforto em grupos ou aglomerações. Gosto da minha solitude.

terça-feira, 31 de março de 2026

Notas de uma tarde cinza. 31/03/2026.

Outro dia sentei numa praça e pedi um pão de queijo recheado. Comi sem pressa. O vento soprava nas araucárias. O tempo estava cinza e frio, um dia atípico bem no fim do verão. Tirei uma foto: o céu, as árvores, a praça. Suspirei sem motivo. 

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Voltei a ver filmes clássicos e cults. Voltei a ler calhamaços. Deixei séries bobas e livros toscos de lado. Este é o meu maio conforto. A arte. Há tempos não me sentia tão feliz.

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Minha vida está se encaminhando, mas não para onde eu gostaria. Parece que estou sendo levado, sem lutar. Nem todo progresso é positivo, quando intimamente sentimos que queríamos outra coisa. Outra vida, outro lugar, outro tudo. Acho que a vida adulta é isso. Ir levando. E levando. E levando.

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Uma das melhores coisas de ser adulto é ter grana para gastar com bobeira. Comprei a coleção de cds do Pedro The Lion e agora comprei vários Red House Painters. Em meu quarto não há mais espaço para nada. Milhares de livros e álbuns. Meu mundo. Chego em casa, tomo um banho, coloco um cd na íntegra e aprecio sem pressa.

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O outono me deixa sentimental. É a minha estação preferida. Sempre que vou embora do trabalho sou banhado pelo sol sonhador do outono. Encho-me de felicidade. 

 -*

 Quero comprar uma máquina fotográfica e tirar fotos só pra mim. Imprimir algumas. Sumir do digital.

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Tenho sentido muita saudade de dar aulas de arte. Quero voltar. Era tão bom poder compartilhar meu conhecimento...

 -*

Há muito tempo não abraço ninguém. É tão estranho isso. A falta do toque, desse contato íntimo que proporciona conforto e tranquilidade. Eu gostaria de entrar em mais detalhes de como certos aspectos da minha vida são complicados e tal, mas não consigo. Não aqui. Tenho me sentido muito só e rejeitado, mesmo em (por causa de) um relacionamento duradouro. E isso só piora, essa solidão a dois.

 

 

sábado, 28 de março de 2026

A falta ao final

 Ao final de On The Road, apesar de tudo, Sal Paradise pensa em Dean Moriarty com uma saudade absurda, com o mesmo amor de quando o conheceu, e então entendemos que a história é um épico da nostalgia. 

Sobre pessoas que somem morrem mudam se vão desaparecem, mas que deixam uma marca indelével em nós.

Ao final do livro, numa especie de desesperança melancólica, Sal diz: 

Assim, na América, quando o sol se põe, eu me sento no velho e arruinado cais do rio olhando os longos, longos céus acima de Nova Jersey, e consigo sentir toda aquela terra crua e rude se derramando numa única, inacreditável e elevada vastidão, até a costa oeste, e a estrada seguindo em frente, todas as pessoas sonhando naquela imensidão, e em Iowa eu sei que agora as crianças devem estar chorando na terra onde deixam as crianças chorar, e você não sabe

que Deus é a Ursa Maior? A estrela do entardecer deve estar morrendo e irradiando sua pálida cintilância sobre a pradaria, reluzindo pela última vez antes da chegada da noite completa, que abençoa a terra, escurece todos os rios, recobre os picos e oculta a última praia, e ninguém, ninguém sabe o que vai acontecer a qualquer pessoa, além dos desamparados andrajos da velhice. Penso então em Dean Moriarty, penso no velho Dean Moriarty, o pai que jamais encontramos, penso em Dean Moriarty.

-*-

Eu penso em você.

20 anos de álcool

 Comecei a beber com 19 anos de idade. Tudo em minha vida foi assim, tardio. Ainda é. Por 20 anos eu bebi. Pouco, mas consistentemente. Tenho, claro, algumas dezenas de porres colossais em meu histórico.

Com a pandemia comecei a consumir muito álcool. Bebia 2 garrafas de whisky por mês, fora os vinhos e cervejas. Engordei e minha cara estava inchada. Gastei muito dinheiro. Há uns 2 anos tenho diminuído o consumo. Mas há quase 2 meses bebi uma garrafa de whisky inteira em uma festa de despedida de um amigo. Passei muito mal depois, por dias. 

Aí resolvi parar de beber. Em 20 anos, é a primeira vez que fico um mês sem álcool. Resultado: emagreci. O rosto afinou e a disposição geral (intelectual, física, sexual etc) aumentou brutalmente. Sinto-me leve e sempre animado. Não quero beber mais e não sinto falta. Talvez, daquela taça de vinho para acompanhar uma massa. Mas eu aguento isso. Não uso nenhum tipo de droga, nem charutos eu fumo mais. Sinto-me com 19 anos, como era antes de começar a beber. 20 anos de álcool é o bastante para toda uma vida. 

A vida que segue

 É sábado. Acordei antes das 08:00h. Minha gata que sempre dorme aos meus pés veio pedir carinho. É o jeito dela me dar bom dia.

Coloquei uma playlist de folk no spotify, bem baixinho. A luz entra delicadamente através das frestas na cortina. 

Vou fazer um café e passar cerca de 3 horas lavando e lubrificando a moto,  sem a menor pressa. Após o almoço,  retomarei a leitura de Os Buddenbrook, do Thomas Mann. 

Sinto-me feliz no outono, sinto-me em paz. Ao fim da tarde pegarei a moto e sairei por aí, banhado na dourada luz do ocaso outonal. Dentro do capacete estarei com um leve sorriso...

Depois, um longo banho e algum filme. Então, mais leitura e mais sono. É a vida que segue...