7ºC. 06:40h a.m. Neblina. Ar úmido e elétrico. Ir devagar não é uma opção. O frio corta. Após meia hora, os dedos ficam duros, mesmo protegidos por uma segunda pele e luvas de couro. O vento entra pelo capacete e o rosto fica pálido, gelado. Após uma hora, não sinto mais nada. Apenas sigo a estrada.
Ao chegar, café bem quente. Lavo as mãos e o rosto com água quente também, mas não adianta. O frio persiste por horas. Ainda estou tremendo.
No entanto, como explicar que amo isso? Não tem lógica, não tem segurança. Mas é o ápice da minha existência. Eu, a moto e a estrada. Não passo pela paisagem. Sou parte dela.
Eu sempre digo isso: mesmo se você não gosta ou não se importa com motos, pelo menos uma vez na vida você deveria viajar em uma. Ou, pelo menos, pegar alguma rodovia por alguns minutos. É uma experiência única. É como estar montado em um míssil. O coração acelera, as pernas tremem e você se agarra como pode. É orgástico.
O clima perfeito para andar de moto é este: logo após a chuva. Estrada molhada, ar elétrico, ameaça de tempestade. É algo meio apocalíptico, desolador e ameaçador. E a moto corta este mundo cinza enquanto raios caem em volta. Vivo para isso. Busco e anseio por dias assim. Mesmo após décadas, ainda amo o tempo cinza.

