sexta-feira, 25 de setembro de 2026

Te vi na rua

 Te vi na rua. 2 vezes. Ainda te procuro por aí. Não para conversar ou cumprimentar. Sei lá. Se eu te visse em um corredor de supermercado, provavelmente me esconderia de ti. Mas mesmo assim eu te procuro. Como se o fato de só te ver caminhando por aí fosse sinal de que você está bem. Não sou de incomodar ninguém e ao menor sinal de incômodo causado eu me desculpo e sumo. Sou um ser estranho e solitário. Mas te desejo o bem e sempre penso em você. Ainda sonho com você às vezes. Sonho que estamos nos mesmos lugares e sempre te vejo à distância. Sorrio satisfeito e vou embora depois.

Outro dia vi um grande e antigo amigo. Já falei sobre ele aqui. Vi-o caminhando na rua. Enchi-me de felicidade. Mas ele sequer me cumprimenta mais. 

Ontem um outro antigo amigo, que perdi o contato há anos, adicionou-me em uma rede social. Está bem, trabalhando em um emprego onde ganha mais de 10 salários. Isso me deixou muito, muito feliz. 

Talvez meu super poder seja esse. O de perder todo mundo que um dia significou algo para mim e amá-los em segredo depois por toda a porra da minha vida. 

O Último Cowboy

 


Robert Kincaid, do livro The Bridges of Madison County (que foi adaptado em um filme bem famoso), um fotógrafo solitário e sem muitos amigos ou família, faz uma analogia que me atingiu profundamente. Ele se denomina "o último cowboy". Um homem obsoleto. Um homem sem papel em um mundo que não precisa mais dele. Sinto-me assim. Amo conversas longas, dias lentos, natureza, contemplação... coisas raras no mundo de hoje. Sou um homem de uma mulher só também. Vivo uma vida estoica, honesta e tranquila. Amo profundamente o mundo que vejo e sinto uma beatitude diária ao presenciar a vida, a natureza, a arte... Há amor, profundo amor no mundo.

Famílias e o extraordinariamente comum

 Fico feliz quando vejo uma família comum qualquer. Outro dia, no Burger King, um jovem casal entrou com uma criança. Estavam calmos, brincavam com o filho. Uma cena normal, típica. Ou um carro passando pela rua com um casal na frente e duas crianças atrás. Crianças com os pais nas praças. Crianças sendo buscadas na escola. Enfim, qualquer cena banal que envolva pais e crianças enche meu coração de ternura. Essa vida tradicional, tão comum, tem algo de extraordinário, de maravilhoso e divino. Sinto paz ao presenciar isso.

Mas não é para mim.

Ao contrário de muitos homens que se aproximam dos 40 e entram em desespero para constituir uma família, eu ainda estou firme quanto a isso. Não quero filhos. Nunca os terei por vontade própria. No entanto, o fim de minha estirpe era algo que me preocupava cada vez mais. Achava isso antinatural, errado. Aí minha irmã engravidou de uma menina. Quando minha sobrinha nasceu, forte e saudável, tirei um peso gigantesco de minhas costas. Continuaremos através dela. Agora tenho alguém para depositar todo o meu amor, para proteger e para deixar tudo o que conquistei nessa vida. Que alívio!

Minha decisão de não ter filhos é puramente lógica. Não sou rico, não conseguiria dar uma vida decente a eles. Sim, eu sei que há famílias com renda de 1 salário mínimo e com vários filhos. Mas não é algo que eu queira para mim; colocar um ser no mundo, um ser que não pediu para estar aqui, e não dar uma vida digna a ele. 

 Não vou mentir. Às vezes penso nisso. Em ter uma pequena versão de mim neste mundo. Cuidar, educar e amar incondicionalmente, dar todo o suporte. Mas é assustador demais. Ser pai exige uma coragem que eu não tenho e não sei se terei um dia. Admiro profundamente pais e mães que cuidam de suas crias. 

 Não é para mim.
 




quarta-feira, 23 de setembro de 2026

 Nunca tive o amor que eu sinto que mereço. E, olha só, eu nem acho que mereço muito. Só o básico. Saudade, carinho e tesão. Fidelidade e parceria. Nunca soube o que é isso. Vivo de restos de afeto. De migalhas. A. Porra. Da. Minha. Vida. Inteira. Mas não culpo ninguém a não ser eu mesmo. Estou aprendendo a não me sentir tão mal por isso. Mas para que eu não me sinta mal, preciso ficar sozinho. Seria pior? Ainda não sei. Preciso aprender a viver sem esperar nada, nem o básico, nem o mínimo. Nada.

quarta-feira, 2 de setembro de 2026

A Menina Submersa - Memórias

Desses livros que ficam. Uma jornada onírica, obscura e cheia de significados e sentidos. Imp ficará um longo tempo em minha memória. 

sexta-feira, 21 de agosto de 2026

Mapa astral, baixo-astral

 Fiz um mapa astral, desses completos, pagos, com cada detalhezinho. Isso tem uns 13 anos. Daí passei para que outras pessoas entendidas verificassem. Depois joguei em uns grupos temáticos. E os resultados eram basicamente os mesmos em todos. A análise seguia uma lógica, de fato.

Não me julgue, todo mundo teve essa fase astrológica espiritual etc 

Eu não me lembro de tudo, mas muitas pessoas disseram que eu tinha muito fogo e muito sol, como nunca tinham visto antes. Algo assim. E algumas ainda disseram que eu seria alguém famoso ou reconhecido. Em uma consulta, a pessoa disse que isso ocorreria até os 30. Essa possibilidade habitou minha mente por alguns anos. Hoje, aos 38, lembrei novamente disso. 

Não sou famoso e nem reconhecido por nada. Os anos passaram. As previsões também. Mas vez ou outra ainda me lembro disso.


quarta-feira, 12 de agosto de 2026

Eu, que amo o frio e a chuva, também aprendi a amar dias de sol e calor.

Esses dias...

 Tenho respirado literatura. Estou lendo Moby Dick e Anna Kariênina. Participei de uma feira literária com Socorro Acioli, falei com ela e peguei autógrafo em seu novo livro, uma compilação de crônicas, chamado Amar é Inadiável. Além disso comprei outros livros, incluindo alguns de autores independentes. Quero ir à Bienal de SP este ano. As reuniões com o Clube de Leitura nunca estiveram tão ativas, 2 ao mês. Enfim, a literatura tem tomado conta de minha vida e isso me deixa feliz.

Também comprei um ps5, mas só jogo aos fins de semana. Tenho muito medo de ficar viciado em video game. E tenho certa tendência a isso. Ganhei um aparelho para ouvir meus cds. Então tenho ouvido de tudo todas as noites, da primeira à última música. A experiência completa.

Tomo meus cafés, meus chocolates quentes, não tenho bebido álcool, estou saindo raramente. Perdi contato com os colegas de copo. Amo minha mulher e minha família e meus pets. Tudo caminha bem, tudo repleto de paz. A vida não é só amargura e vazio e angústia. É tudo isso também. Sempre será. Mas ela tem coisas positivas, e ultimamente tenho olhado com mais carinho para todas elas. Transbordo amor.

quinta-feira, 6 de agosto de 2026

 Dormi ontem antes das 09:00h, por pouco mais de 11 horas seguidas. Sonhei todo esse tempo. Sonhos loucos, artísticos e estranhos. 

Sonhei que estava em um shopping comprando roupas e comida e as compras nunca tinham fim. 

Sonhei que estava em uma festa com Johnny Cash e Waylon Jennings cantando Luckenbach, Texas, na beirada de um rio. Depois entrei neste rio e fiquei nadando entre as pessoas. 

Muitos outros sonhos eu sonhei, mas não me lembro mais deles 

A morte da nostalgia

 Minha avó tem quase 100 anos, é totalmente lúcida e odeia falar do passado. Nunca entendi o motivo. Até agora.

Sempre fui uma pessoa muito nostálgica. Vivia pensando no passado, em momentos mágicos e confortáveis, cheios de significado e amor. Meus textos são repletos disso.

Mas algo se quebrou. Amadureci? Ou perdi a capacidade de lembrar do passado com carinho e suspiros? Não sei a resposta. Não sei o que aconteceu. Mas mudei.

Quero que o passado se foda. As memórias estão evanescendo, tudo perdeu seu significado e só o agora importa.