sexta-feira, 10 de julho de 2026

Eletricidade, motor e prazer

 7ºC. 06:40h a.m. Neblina. Ar úmido e elétrico. Ir devagar não é uma opção. O frio corta. Após meia hora, os dedos ficam duros, mesmo protegidos por uma segunda pele e luvas de couro. O vento entra pelo capacete e o rosto fica pálido, gelado. Após uma hora, não sinto mais nada. Apenas sigo a estrada.

Ao chegar, café bem quente. Lavo as mãos e o rosto com água quente também, mas não adianta. O frio persiste por horas. Ainda estou tremendo. 

No entanto, como explicar que amo isso? Não tem lógica, não tem segurança. Mas é o ápice da minha existência. Eu, a moto e a estrada. Não passo pela paisagem. Sou parte dela.

Eu sempre digo isso: mesmo se você não gosta ou não se importa com motos, pelo menos uma vez na vida você deveria viajar em uma. Ou, pelo menos, pegar alguma rodovia por alguns minutos. É uma experiência única. É como estar montado em um míssil. O coração acelera, as pernas tremem e você se agarra como pode. É orgástico.

O clima perfeito para andar de moto é este: logo após a chuva. Estrada molhada, ar elétrico, ameaça de tempestade. É algo meio apocalíptico, desolador e ameaçador. E a moto corta este mundo cinza enquanto raios caem em volta. Vivo para isso. Busco e anseio por dias assim. Mesmo após décadas, ainda amo o tempo cinza. 

terça-feira, 7 de julho de 2026

Um sentimento de...

... De qualquer coisa assim parecida com paz ou tranquilidade ou conforto. Sem ódio, estresse, pressa ou preocupação. Uma paz danada, inabalável. Moto estragou, gato está doente, mas nem isso me tirou o chão esse semana. Estou ZEN.

*+* 

Parei de ir a bares, parei com todos os rolês e só saio de casa para participar do meu Clube do Livro. Minha casa tem todos os streamings, video game e centenas de livros e HQs. Uma cama confortável, meus gatos, comida e bebida sempre à mão. Sair pra quê? Para não dizer que virei um eremita, saio para comer algo às vezes ou tomar um café. Hoje, por exemplo, vou sair do trabalho e comer um pastel de feira. E só e me basta. 

 *+* 

Estou numa fase em que simplesmente parei de tentar entender as pessoas. Porque simplesmente já entendi todo mundo. Afastei-me dos oportunistas, dos colegas de copo e da turma do rolê. Não porque são más pessoas, mas porque não sinto a menor vontade de me enturmar. Afastei-me de quem só pede favores e de quem só reclama também. Fiquei indiferente com quem é indiferente comigo. E afastei-me de pessoas complicadas, que querem me colocar em suas tramas complexas e sem sentido. Não tenho interesse e não sou obrigado. Não quero saber de ninguém assim. Engraçado é que, após isso, quem sobra? 

*+* 

Estou lendo Moby Dick, finalmente. Quase no fim. A história em si é maravilhosa, mas as partes sobre caça de baleias me enojam. A caça é a prática mais vil do ser humano. Estou ensaiando para voltar a ser vegetariano também. O consumo de produtos de animais não me agrada mais.

*-*

Todo esse rant aleatório tem a ver com o seguinte: ninguém se importa. Ninguém. E quando você notar isso, vai viver uma vida leve pra caralho. Ou pelo menos tentar.

ps.: Claro, o amor existe. Quem se importa também. Mas isso é RARO. Mais raro do que todo mundo pensa. Mas por mais que as pessoas te amem e pensem em você, ninguém vai ficar ligado em você o tempo todo, te checando o tempo todo e reforçando este amor o tempo todo. A gente é, inevitavelmente, sozinho. Claro de novo: sou humano. Sinto falta de carinho, de uma conversa profunda com uma amizade verdadeira, de um toque, de um abraço, daquela pessoa ou outra que simplesmente sumiu. Mas não vou morrer por falta disso. E nem triste vou ficar. Não mais. Não por enquanto. Não agora. Não.

 

segunda-feira, 6 de julho de 2026

Terror e relacionamento aberto

sonho 1- Estava em uma pousada, em uma área com muita areia e um penhasco. Alguém fez um buraco na areia e se deitou dentro. O buraco se fechou. Eu cheguei com uma espingarda e comecei a atirar. A cada tiro, buracos enormes se abriam na areia, revelando passagens subterrâneas, mas nunca mais vi a pessoa. Havia lobisomens, bruxas poderosas e amedrontadoras e vampiros na área. Tentei salvar alguns amigos e fugimos de carro. Um desses amigos tinha um parasita no corpo que, se evoluísse, daria origem ao nêmesis. Quando estava indo embora, fui cercado pro bruxas, mas uma mulher matou a todas com uma faca de serrar pão. Fiquei apavorado e querendo fugir o tempo todo. 

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sonho 2 - Meu relacionamento era, aparentemente, aberto. Ela passou a noite com um homem que eu conheço. Fiquei triste por isso, mas relevei. No dia seguinte, passou a noite com outro, e chegou suada e com coceira. Brincou que devia ter pego algo do cara. Relevei novamente e quando ela foi tomar banho eu senti vontade de morrer. 

-*- 

 Nota: Dois sonhos do mais puro terror e com total falta de sentido, ou quase. A comparação aqui é óbvia e simples: relacionamento aberto é o equivalente ao pior terror possível. Pensando bem, é ainda pior: eu prefiro mil vezes ser morto por vampiros, bruxas ou lobisomens do que abrir o relacionamento. 

 

quarta-feira, 1 de julho de 2026

Update


 Estou revisando um livro sobre empatas. 90% é pura groselha. Mas os 10% me pegaram de jeito. Porque vi minha vida toda ali. Aversão a grupos e locais com muita gente, emoção e sensibilidade sempre à mostra. Absorção de sentimentos alheios quando descuidado. Necessidade de recarregar energias em silêncio e solidão e, principalmente, a capacidade de ver além do véu, de sacar pessoas falsas, mentirosas, aproveitadoras e narcisistas logo de cara.

Eu sou bem assim. Única coisa que preciso melhorar é em esconder um pouco como me sinto; sendo mais específico: ser mais político, sociável e não deixar transparecer nada em público. Porque minha cara sempre entrega como me sinto. E TODO MUNDO nota isso. 

*-*

 Ando numa paz, sabe? Sem beber, sem frequentar bares, sem rolês com barulho ou com muita gente, bem tranquilo mesmo. Trabalho num escritório o dia todo, à noite reviso uns livros, vejo alguma série leve e leio até pegar no sono. Tudo na mais absoluta paz e com muito conforto. Coloquei uma luz quente fraquinha no quarto, comprei um cobertor de sherpa bem quente e macio... sair pra quê? Um café, um chocolate quente... maravilha!


*-*

Amo cozinhar para mim mesmo. Ontem fiz onigiri e temakis. No dia anterior, buffalo wings. Sem a pressão de agradar ao paladar alheio. sem medo de errar e sem pressa. Uma música, a cozinha e eu.

*-*

Meu gato mais velho, com quase 20 anos, vai retirar os dentes na sexta-feira. Ele está bem, mas a gengiva está muito inflamada. Fico preocupado com a anestesia, mas sei que vai dar tudo certo!  

 *-*

Estou sem tempo para escrever aqui. Sem muito assunto também. Os assuntos do coração escrevo à mão em eu diário. Nunca mais vou expor essas coisas. Não há necessidade, função ou lógica. Mas continuo o mesmo. Tudo segue. Ora leve, ora lento, ora feliz, ora indiferente, mas sempre em frente. No mais, apenas isso: silêncio e saudade e certa incompreensão persistente.

*-*

Não corro atrás de ninguém e só ajudo quem me solicita ajuda. Este foi o meu maior aprendizado nos últimos anos. Não cobro, não obrigo e não exijo. Deixo tudo fluir, tudo seguir seu rumo. Estou aqui, repleto de amor e de peito aberto para a vida e abraçando quem queira meu abraço. Estou aqui.

 

 

 

terça-feira, 16 de junho de 2026

Diário de sonhos

15/06/2026 - Acordei com muita raiva. Levantei-me e olhei meu rosto inchado no espelho. A raiva ainda estava ali. Uma raiva poderosa e profunda. Então eu me lembrei do sonho...

Cheguei a um bar e uma pessoa que realmente detesto, um ser abjeto digno de nojo, estava por lá. Então eu o soquei e joguei no chão. Continuei a socar, mesmo quando os dentes quebraram e o nariz quebrou e o sangue jorrou. Continuei até que tudo o que se podia ver do rosto dele era uma massa disforme de sangue e carne. Então acordei com essa raiva triunfal, este ódio bélico e, porque não dizer, com uma sensação de dever cumprido e de orgulho. 

16/06/2026 - Fui ao banheiro do escritório e me olhei no espelho. Eu tinha 20 anos novamente. Rosto liso e cabelo farto. A pele sem as rugas ou manchas de sol. Encostei-me na parede e fiquei me admirando por algum tempo. Então saquei o celular e tirei uma foto. E outra, e mais uma. Em todas as fotos eu estava com a minha idade atual. Rosto mais arredondado, calvo e barbudo. Com as rugas e manchas. Guardei o celular e continuei encarando o eu do espelho por mais algum tempo, com nostalgia e amor. 

sexta-feira, 29 de maio de 2026

 Se falássemos da solidão, sem o receio de que soássemos patéticos ou carentes, o que diríamos?

Sinto-me só por toda a minha vida. Sem conexão real ou profunda com ninguém. Poderia estar bebendo em uma mesa de bar com várias pessoas hoje, mas estou aqui em minha casa sozinho, sentindo-me a pessoa mais solitária do mundo. Não quero a conexão de fala alta e conteúdo raso dos bêbados do bar. Quero algo real. Simples e honesto. Mas ninguém quer se comunicar, todos querem apenas falar e falar. 

Leio, vejo um filme, mexo no celular, leio novamente até o sono chegar. Anseio por conexão. Sinto uma angústia sufocante. Durmo e depois tudo se repete.

segunda-feira, 25 de maio de 2026

Sobre rotina, solitude e conforto

Não sou escravo da rotina porque não encaro rotina como algo obrigatório, cansativo ou enfadonho. A rotina tem seu encanto. Hoje, p. ex.: cheguei ao trabalho bem cedo. Fiz um café forte. Agora bebo com calma e enquanto espero alguns processos desenrolarem para que eu possa trabalhar neles, escrevo essas linhas ao som do segundo álbum do Belle & Sebastian. Uso camisa cinza com gravata preta, um cardigã cinza em um tom mais escuro e um blazer de lã vintage chumbo que deve ter uns 60 anos ou mais. Sinto-me leve e em paz. Conforto e plenitude. O toque macio da roupa, a música suave e o escritório silencioso formam um ambiente perfeito de conforto diário.

Tenho vivido uma vida pra dentro há um tempo, essa vida de mais contemplação e menos ação. Calado e calmo e sozinho. Mas não solitário. Tenho amigos, porém recuso quase todos programas sugeridos e visitas solicitadas. Raramente saio de casa. Importante dizer: não estou deprimido e sinto prazer e eventual alegria em várias das coisas que faço.

Neste fim de semana acordei muito cedo, antes das 8. Fiz café, peguei Moby Dick e li na parte externa da casa, preguiçosamente, em um sofá. Todos os gatos se deitaram à minha volta e ficamos assim por horas. Fiz almoço e passei mais algumas horas lendo. Tanto sábado quanto domingo. Às vezes penso que preciso de amizades assim, amizades felinas. Alguém com quem eu possa ir para algum lugar tranquilo e ler por horas. Apenas na presença um do outro, sem bares lotados, sem barulho, sem grupos e sem drogas.

O estranho de ficar muito sozinho é que me pego pensando às vezes: quando foi a última vez que abracei alguém? Ou que tive alguma conversa real e significativa? Quando segurei as mãos ou andei de mãos dadas? Essas lembranças se dissipam como neblina. Às vezes fico o dia todo sem nem ouvir a minha própria voz. Isso não me causa desespero ou tristeza, no entanto. São apenas reflexões, como que lembranças de outra vida.

Sinto-me como algum personagem qualquer do Ozu. Cheio dessa resignação aparentemente estoica ou enraizadamente estoica, mas que quem sabe talvez por acaso às vezes provavelmente guarde, bem lá no fundo, um desespero patético, um grito mudo, uma esperança tola e insistente de ser amado.

sexta-feira, 22 de maio de 2026

 Não sinto falta de sexo. Posso ficar meses sem. Mas sinto falta daquele aconchego, sabe? Dos corpos quentes juntos, colados, vendo uma série qualquer na cama. Das mãos dadas sobre uma mesa de bar. Da troca de olhares em um local público e do sorriso cúmplice, do cheiro do hálito e do corpo... Dessas coisinhas assim tão pequenas e tão necessárias.

Fim de tarde cinza

 Fim de tarde cinza. Ontem fui ignorado mais uma vez. Qualquer dia falo sobre isso que tem acontecido. Hoje estou ouvindo O Teatro Mágico e Los Hermanos - que porra é essa? De repente estou em 2003 novamente. Caí nessa armadilha. Aí bateu uma melancolia. Lembranças. Suspiros. Sai fora. Quero sair de casa hoje. Ver gente. Conversar. Talvez, rir um pouco. Ocupar a mente, sabe? Estar com quem me quer. Mas quem?

terça-feira, 12 de maio de 2026

 

instagram: @lucil_junior

Comprei bebidas não alcoólicas e enchi um cooler com elas e gelo. Saímos cedo. Levei também uma garrafa térmica de café com leite. Estrada, friozinho, mais estrada. Depois de 30 km de asfalto pegamos quase 6 km de terra. Estrada ruim, mas correu tudo bem.  Chegamos, bebemos o café e rumamos para a natureza selvagem. Pedras, canyons, trilhas, cursos d'água e cachoeiras. Passamos a manhã toda assim. Depois almoçamos no local - o restaurante é repleto de gatos e cachorros, o que me deixou mais feliz ainda. Todos gordinhos e bem cuidados. Então, mais caminhada e só no finzinho da tarde fomos embora, ouvindo folk. Foi um dia simples, calmo e perfeito. Como tem que ser.