Fico feliz quando vejo uma família comum qualquer. Outro dia, no Burger King, um jovem casal entrou com uma criança. Estavam calmos, brincavam com o filho. Uma cena normal, típica. Ou um carro passando pela rua com um casal na frente e duas crianças atrás. Crianças com os pais nas praças. Crianças sendo buscadas na escola. Enfim, qualquer cena banal que envolva pais e crianças enche meu coração de ternura. Essa vida tradicional, tão comum, tem algo de extraordinário, de maravilhoso e divino. Sinto paz ao presenciar isso.
Mas não é para mim.
Ao contrário de muitos homens que se aproximam dos 40 e entram em desespero para constituir uma família, eu ainda estou firme quanto a isso. Não quero filhos. Nunca os terei por vontade própria. No entanto, o fim de minha estirpe era algo que me preocupava cada vez mais. Achava isso antinatural, errado. Aí minha irmã engravidou de uma menina. Quando minha sobrinha nasceu, forte e saudável, tirei um peso gigantesco de minhas costas. Continuaremos através dela. Agora tenho alguém para depositar todo o meu amor, para proteger e para deixar tudo o que conquistei nessa vida. Que alívio!
Minha decisão de não ter filhos é puramente lógica. Não sou rico, não conseguiria dar uma vida decente a eles. Sim, eu sei que há famílias com renda de 1 salário mínimo e com vários filhos. Mas não é algo que eu queira para mim; colocar um ser no mundo, um ser que não pediu para estar aqui, e não dar uma vida digna a ele.
Não vou mentir. Às vezes penso nisso. Em ter uma pequena versão de mim neste mundo. Cuidar, educar e amar incondicionalmente, dar todo o suporte. Mas é assustador demais. Ser pai exige uma coragem que eu não tenho e não sei se terei um dia. Admiro profundamente pais e mães que cuidam de suas crias.
Não é para mim.
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