terça-feira, 28 de abril de 2026

Oi, tudo bem?

 Por aqui? A vida anda boa, anda lenta. Trabalho, estudo, leio, vejo uns filmes, faço algum exercício físico e descanso. Tenho dormido cedo e acordado com o sol. Há amor em tudo o que faço e  isso traz uma tranquilidade, sabe? Mesmo nos dias tristes. Nada oprime ou sufoca. Sinto falta da chuva e do frio, principalmente do frio. Sinto um pouco a sua falta também. Já senti mais. Agora, só vez ou outra. A distância ajuda. Não dá para sentir falta daquilo que esquecemos.

No entanto, vivo sonhando com encontros casuais - em supermercados, ruas, bares e tal. Mesmo sabendo que está em outra cidade. Às vezes finjo que não te conheço e passo reto. Às vezes rola um abraço longo e apertado, às vezes apenas um rápido e constrangedor "olá". Não digo mais eu te amo e nem digo que sinto saudade. Não sei se você nota. Acho que não. Sempre que fazia isso eu me sentia patético logo em seguida. Ou não era levado a sério, ou era levado como emotivo demais, exagerado demais, e tudo se esvaziava de significado. Sei que tem outras amizades agora, outros rolês. A vida segue seu curso.  Não sinto raiva, rancor ou amor. Sinto falta. Às vezes, mais ou menos. Quase nada. Ou seria uma falta absurda que nunca será admitida? Acho que não.

Há muito tempo não abraço ninguém. Meu último abraço foi em você. Não gosto de contato físico. Evito cumprimentos assim. Até para parabenizar alguém, eu faço meio que constrangedoramente de longe. É isso, acho que entendi. Sinto falta do seu abraço. Já não te peço isso há tempos, há anos. Quase não lembro se já pedi, na real. Só uma vez. E você não me abraçou. Se eu ainda tivesse a coragem de te pedir algo sem ser o medo de ser ignorado ou rejeitado, não seria sexo ou amor ou afeto - pois essas são coisas que se conquistam e que se mantém com esforço e dedicação - Não. Seria isso, um abraço. E nesse abraço eu iria lembrar do cheiro do seu cabelo, da sua pele e do seu hálito. Iria me sentir íntimo novamente, seria a beatitude. Isso talvez me destruísse depois. Portanto, este seria meu único pedido a você: um abraço que durasse toda a vida.

quarta-feira, 22 de abril de 2026

 A felicidade não grita. Ela não aparece nas atualizações das redes sociais. Não está em sorrisos largos e bebidas à mão em algum lugar paradisíaco ou cosmopolita. Não está em grupos ou atividades efetuadas por estes. Não.

A felicidade sussurra. Ela é como o cobertor preferido de uma criança, como um filhote que se aninha na mãe em um dia frio, como um abrigo seco de uma tempestade. A felicidade conforta. Traz calma e paz. 

sexta-feira, 17 de abril de 2026

 Tenho vivido uma vida tão pra dentro, tão comigo mesmo... E isso tem me dado um conforto imenso, com não tinha há muitos e muitos anos.

Sinto-me apaixonado pela vida. Pelo ar da manhã, pelo entardecer... o outono sempre faz isso comigo. Tenho feito tudo com amor. Acordo e meus gatos vêm me cumprimentar, então já fico feliz. Depois tomo uma café sem pressa, mastigando com calma e sentindo o friozinho do começo do dia. Rego as plantas, trabalho, faço minha academia, tomo banho, leio leio leio e durmo. Voltei a frequentar cafeterias também. Leio um pouco nelas, enquanto tomo um café ou dois. Sempre em paz, sempre tranquilo e confortável. Não olho para ninguém, não convido ninguém para nada, não frequento mais bares e não bebo mais. A vida está plena agora. Estou feliz.

segunda-feira, 13 de abril de 2026

 Fim de semana em São Paulo. Comprei livros e discos, comi bem e fui a vários shows. Amo viajar e conhecer lugares, mas detesto o caos das grandes cidades. Pedintes e drogados, engarrafamentos, tudo fica longe, tudo fica caro, tudo cansa. Voltarei só em janeiro. 

-*

 Ando tão cansado das pessoas... Nem vou a bares mais. Só saio de casa sozinho. Conversar é exaustivo, ainda mais quando a conversa é aleatória e nada enriquecedora. Não tenho bebido, então é mais difícil suportar pessoas falando merda o tempo todo. Gosto de conexões profundas, conversas ricas, olho no olho, com calma e atenção. Nunca encontrei isso em um boteco. Na verdade, sinto falta de alguém assim para conversar. As pessoas ficaram todas estranhas: parecem a mim toda viciadas (em drogas, em celulares, em atenção). Não busco sexo ou amor ou atenção. Só um pouco da velha conexão humana.

quarta-feira, 1 de abril de 2026

Constantly Talking isn’t Necessarily Communicating

 Ando muito cansado de pessoas. Muito mesmo. Estava mais de mês sem sair, a não ser com a minha companheira. Hoje fui a um bar, uma cervejaria. Atendimento bom, música boa. Não bebi. Então, depois de um tempo, foi aquilo: todo mundo falando mais alto do que a música, todo mundo querendo falar e ninguém querendo ouvir. Quase uma competição por atenção e protagonismo. Uns conhecidos querendo puxar assunto, outros fingindo que não me conhecem. Dei o fora.

Estou sem paciência. Não quero conversar com quem não quer ouvir e não quero ouvir quem só quer falar. Eu geralmente consigo socializar bem em qualquer ambiente, mas sem beber fica mais difícil fazer isso. Externamente nada muda. Internamente fico estressado e impaciente.

Eu odeio grupos. Ao sair para qualquer rolê, vou sozinho ou com alguma pessoa só. A 2 é tudo perfeito. A 3, aceitável. Mais do que isso, para mim, tudo se torna dispensável. Gosto de conversas íntimas e profundas e com muita gente isso é impossível. Não encontro conforto em grupos ou aglomerações. Gosto da minha solitude.